segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Manuel


Durante esta ausência de escrita, no meu blog, muitas coisas se passaram. Umas tristes, aliás, muito tristes, e outras em que a alegria é só mais um sentimento num turbilhão deles.
Vendo bem, este será o primeiro post escrito do ano 2008, e até agora tem sido um começo de ano cheio de emoções, de altos e baixos, dignos de uma montanha russa incluída num livro de recordes.
Pois bem, a primeira notícia é que sou tio. O Diogo, filho da minha irmã, nasceu mais cedo que esperado causando dias de grande preocupação e reflexão.

Se o primeiro grande acontecimento do ano trata de um nascimento, a outra é o oposto.
Chegado de Londres, a minha mãe ordena-me que me sente. Dá-me a noticia que o meu avô falecera de sábado para domingo. Um peso enorme cai-me sobre os ombros. As recordações aparecem numa velocidade estonteante. Lembro-me muito bem de brincar com o meu avô. Os castelos que fazíamos com umas peças creme de lego, que estavam guardados numa caixa (de madeira), que originalmente guardava uma garrafa de vinho. Lembro-me de me ter iniciado nas damas, mikado e monopólio. As voltas pela mata de Benfica. Do meu olhar enquanto fazia palavras cruzadas como ninguém. De simplesmente da sua companhia enquanto via desenhos animados. Quando ia fumar para a varanda a companhia era eu, muitas vezes em silêncio, outras a tentar convence-lo a deixar-me tentar acertar com a beata num buraco que os candeeiros da altura tinham.
Sempre o vi como um homem inteligente, sábio, dono de uma grande colecção de livros de história. Apesar de tudo, e além de tudo, o meu avô faz parte da minha infância e do meu crescimento.
Não sei se está num lugar melhor ou em lugar algum. Só sei que não está sentado no seu lugar, fazendo palavras cruzadas ou lendo o Correio da Manhã. E isso deixa-me triste e inconsolável.

Beijinhos vôvô.

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