segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Uma tarde na Gulbenkian

Com a barriga bem cheia, fui encher os olhos com o bling bling da exposição da Cartier na Gulbenkian. Mas antes, os meus pais decidiram que iam assustar só um bocadinho como quem diz:”Sim senhor, pagamos-te o almoço e a exposição, mas tens que sofrer um bocadinho! Ou pensas que isto é…ai!” E lá fui eu, marchando e suspirando para o museu de arte moderna.
Mal entro deparo-me com algo incrível. E já ouvia risos e sussurros da parte do meu agregado familiar. O que via era isto que está aqui em baixo.


E não pensem que isto leva cola. Nem um bocadinho de UHU nem Bostik. É mesmo muita paciência, e vá…um pouco de demência, que vocês observam.


Á entrada uma placa, no chão alertava: “Proibida a entrada de crianças sem acompanhamento de adultos, e não aconselhável a pessoas com vertigens e medo de alturas…” Dizia mais alguma coisas mas eu parei por aqui. Dei uma gargalhada embaraçosa e caminhei decidido e confiante para a entrada. Mal pus o meu pezinho lá dentro, muito rapidamente, voltei atrás. O meu ar de confiante e decidido virou para um ar de medo e incrédulo com tudo aquilo. Ah! Já vos disse que tenho um medo do cara*+#$%!o de alturas. Pois agora já disse. Então, o que eu vi para fugir a sete pés? Isso aí que está aqui ilustrado.



Uma ilusão de abismo infinito, criado por dois espelhos. Uma coisa simples mas muito eficaz. Ok, fui razão de chacota e gozo para todos os intlectuadoides que lá estavam. Mas não faz mal.
Aproveitei o meu estado de espírito exaltado e feliz (já que consegui passar por aquela prova de fogo) para ver três quadros da Paula Rego. Para mim a Paula Rego é o Raul Solnado da pintura: ninguém tem coragem de dizer mal. Pois eu detesto o Raul e detesto a Paula. Parece que quer imitar Frida mas fica sem piada. Parece que todas as personagens das suas obras querem fazer-me mal. Pior que isso, desejam-me algo de ruim. Pois, eu cá não aprecio muito.




Estava na hora do bling bling e duma longa espera. A espera foi positiva porque deu tempo para comer os maravilhosos croissants da Gulbenkian. De resto foi desesperante. Á entrada, um polícia persuasivo ia examinando se ninguém tinha um pé de cabra ou uma granada de fumo. Um segurança da instituição dava ordens, básicas e plausíveis, para que nada corresse mal:” Não podem ir com casacos na mão. Telemóveis desligados. Malas podem de tamanho de anões podem entrar, mochilas do tamanho de bebés anões não pode. É proibido descalçarem-se dentro da exposição.” A segurança era, de facto, muito apertada. Mas eu consegui contornar a autoridade e, com o meu brilhantismo e veia de espião da Mossad, consegui tirar esta foto a um relógio misterioso. Era feito de ouro, platina, diamantes. Muitos diamantes. Até faz impressão a quantidade de diamantes que está naquela sala. Quase maior que a estupidez da segurança.





A caminho de casa olhava para a minha pulseira de prata indiana. Dei 50 euros por ela. O que outrora julgava até uma coisa valiosa (prata, robusta, maciça), naquele momento parecia que tinha uma palhinha em volta do meu fino pulso.

2 comentários:

TD disse...

adoro o gulbenkian e os jardins, no verão adoro os concertos ao ar livre..

Peter disse...

nunca fui a um concerto lá...
Tb é raro ir lá no verão!

Obrigado pela visita e pelos comments...tb fiquei cliente do teu blog :)